João Alves and Kostya Kazenny fuck

João Alves tocava violão na estação de metrô todas as tardes, mas ultimamente seus olhos procuravam alguém específico: Kostya Kazenny, o homem de sobretudo escuro que passava às cinco em ponto, sempre apressado, nunca parando. João começou a tocar mais suave quando o via, na esperança de fazê-lo hesitar. Um dia, Kostya parou.
“Você toca sempre a mesma música quando passo”, disse ele, num português carregado de sotaque. João sorriu, os dedos pausando nas cordas. “É porque você passa sempre na mesma hora. Fica difícil inovar.” Kostya riu, um riso baixo e surpreso. “Achei que fosse coincidência.” João negou com a cabeça. “Não existe coincidência. Existe coragem. A minha de tocar, a sua de parar.”
Kostya sentou-se no banco ao lado, o sobretudo escuro contrastando com a luz amarelada. “Então continue tocando. Eu tenho tempo.” João, o coração acelerado, dedilhou uma melodia nova — uma que nunca tinha tocado antes, feita na hora para aquele momento. Kostya fechou os olhos, ouvindo. Quando a música terminou, disse: “Amanhã eu passo mais cedo.” João riu. “Eu vou estar aqui.”



