Andolini and maskedsuckerx

Andolini era um contrabandista napolitano dotado de lábia e sorte. Numa noite de névoa, recebeu um carregamento misterioso no porto de Nápoles. O remetente usava apenas um codinome: maskedsuckerx.

A caixa chegou lacrada, sem nota. Andolini, rabudo de nascença, não resistiu à curiosidade. Abriu-a e encontrou máscaras venezianas, todas idênticas, envoltas em seda. Nenhuma explicação.

Dias depois, um sujeito de rosto coberto apareceu em seu armazém.

— Sou maskedsuckerx — disse a figura, a voz abafada pelo tecido. — Quero minha mercadoria.

Andolini cruzou os braços.

— Primeiro, me diga o que há por trás dessas máscaras.

O mascarado riu. Contou que eram para uma festa clandestina, onde ninguém sabia quem era quem — nem mesmo durante o sexo. Anonimato total, desejo sem rosto.

— E por que eu deveria me importar? — perguntou Andolini.

— Porque o senhor também usa máscaras, mesmo sem perceber.

A frase o atingiu. O napolitano rabudo, sempre tão esperto, percebeu que havia algo verdadeiro naquilo. Devolveu a caixa, mas guardou uma máscara. Naquela noite, olhando-se no espelho, o homem dotado de tantas artimanhas perguntou-se quem realmente era por baixo de tudo.

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